Que infecção é essa? Identificando as diferentes infecções vaginais PDF Imprimir E-mail

 

Por definição, "vaginite" simplesmente significa "inflamação da vagina". Às vezes, a vaginite é causada por uma infecção. Independentemente da causa, esta pode ser acompanhada por uma série de outros sintomas. Alguns dos sintomas mais comuns incluem:

  • Corrimento vaginal anormal (sinal mais comum)
  • Mudança na cor do corrimento vaginal
  • Odor ruim ou "de peixe"
  • Coceira
  • Irritação ou inchaço da vulva
  • Relação sexual dolorida (dispareunia)
  • Queimação ou micção dolorida (disúria)

Observe que, mesmo quando tais sintomas podem ocorrer em virtude de uma infecção vaginal, eles também podem surgir quando a fonte não é uma infecção. A reação do seu corpo a uma substância ou irritantes, tais como sabonetes ou detergentes, pode também gerar alguns destes sintomas.

Isso é uma infecção? Em caso afirmativo, de que tipo?

É importante para as mulheres consultarem os seus obstetras/ginecologistas caso estas sintam tais sintomas, de modo a determinar se elas têm alguma infecção e, em caso afirmativo, o tipo desta. Nos casos em que realmente há uma infecção, existem três tipos de infecções que são as mais comuns:

  • A Vaginose Bacteriana (VB) é responsável por 40 a 50% dos casos
  • A Candidíase Vulvovaginal (CVV) (infecção fúngica) é responsável por 20 a 25% dos casos
  • A Tricomoníase (Trich) é responsável por 5 a 20% dos casos

Abordarei cada infecção em ordem sequencial.

Vaginose Bacteriana (“VB”)

As bactérias que causam a vaginose bacteriana estão naturalmente presentes na vagina, porém geralmente não há em grande quantidade. A vaginose bacteriana ocorre quando estas bactérias se multiplicam além do normal.
O principal sintoma de que há vaginose bacteriana é em função de um aumento do corrimento, o qual tem um forte odor de peixe, e pode apresentar-se fino e cinza ou esverdeado. O odor pode ser mais intenso, ou mais perceptível, durante a menstruação ou após a relação sexual.
A coceira não é comum na vaginose bacteriana , mas pode estar presente se houver uma grande quantidade de corrimento. O seu médico pode empregar vários testes com a finalidade de detectar a vaginose bacteriana, incluindo uma análise a fresco, uma medição do pH vaginal ou um "teste de amina positivo/teste de odor vaginal (Veja na seção das Ferramentas e Testes abaixo para obter informações adicionais sobre estes testes.)
A VB não é uma doença sexualmente transmissível (DST). No entanto, quando você tem VB, esta pode torná-la mais vulnerável às doenças sexualmente transmissíveis. O tratamento exige antibióticos, os quais podem ser tomados por via oral ou vaginal. Se você estiver sentindo coceira ou irritação durante a espera para o antibiótico fazer efeito, considere usar um analgésico tópico, sem a necessidade de receita médica,, o qual pode aliviar o desconforto até que a infecção seja eliminada.
Lembre-se: Caso voce tenha VB, é imperativo que você consulte um médico. Os tratamentos com medicamentos de venda livre não curam a VB.

Candidíase Vulvovaginal (CVV)

Esta é comumente chamada de infecção "fúngica".
É geralmente causada por Candidia albicans, um fungo normalmente encontrado em pequenas quantidades na vagina. No entanto, uma multiplicação excessiva desse fungo resultada em infecção fúngica. Por exemplo, uma alteração no ambiente vaginal normal, tal como bactérias normais sendo erradicadas com antibióticos, pode resultar na multiplicação excessiva do fungo e causar os sintomas.
Os sintomas mais comuns de uma infecção fúngica são a coceira e o ardor na vulva, que às vezes resulta em vermelhidão e inchaço dessa área, tornando a atividade sexual e micção doloridas. O corrimento vaginal proveniente do fungo é, por vezes, descrito como tendo aparência de queijo "cottage", em virtude da textura branca e irregular deste. Pode haver um odor forte de "fermento".
As condições que podem pôr as mulheres em situação de risco para infecções fúngicas são: diabetes, gravidez, uso de antibióticos e relações sexuais. Para diagnosticar uma infecção fúngica, o seu médico irá analisar o corrimento vaginal com o objetivo de detectar, através de um microscópio, a presença de hifas de fungos. Seu médico também poderá fazer um teste para detectar a VB.
Uma mulher deve consultar o médico assim que esta sentir que está com uma infecção fúngica. Embora os medicamentos antifúngicos estejam disponíveis sem necessidade de receita médica para tratar infecções fúngicas, hoje, as mulheres devem ser cautelosas no "autotratamento", especialmente na primeira vez em que uma infecção fúngica é suspeita.
Os tratamentos disponíveis incluem: um medicamento oral, supositórios vaginais e cremes vaginais. Enquanto você estiver tratando a sua infecção fúngica com um antifúngico, a coceira pode ser aliviada com um produto de venda livre.

Tricomoníase ("Trich")

A infecção por Trichomonas é uma condição causada por um parasita chamado Trichomonas vaginalis. Esta é sexualmente transmissível, por isso, se você for diagnosticada com este tipo de infecção, o(s) seu(s) parceiro(s) também vai/vão precisar de diagnóstico e tratamento médico.
Um sinal comum de trich é um corrimento vaginal cinza-esverdeado e pode, ou não, ter um odor ruim. Além disso, pode haver ardor, irritação, vermelhidão, inchaço e coceira da vulva. Às vezes, não há dor durante a relação sexual e a micção.
O diagnóstico pode ser feito através de uma "análise a fresco" com a lâmina de microscópio, em que os trichomonas vivos são vistos “nadando” sob a lâmina do microscópio. Há também algumas culturas adequadas para detectar trich. Às vezes, um exame de Papanicolau mostrará os parasitas sobre a lâmina e o patologista fará uma anotação acerca destes no relatório.
A infecção por Trichomonas deve ser tratada com um antibiótico oral, geralmente o metronidazol (ambos os parceiros). Apenas para enfatizar: se você estiver com coceira ou irritação durante o tempo de espera para o antibiótico fazer efeito, considere tomar um analgésico de venda livre, que podem aliviar o desconforto até a infecção ser eliminada.

Outros tipos de Vaginite

Outros tipos de vaginite que não são de agentes infecciosos incluem:

  • Vaginite atrófica - afinamento da mucosa vaginal, geralmente em decorrência do baixo nível de estrógeno
  • Vaginite química ou alérgica - pode ser decorrente de  desodorantes, espermicidas, corpos estranhos, perfumes, etc.
  • Neoplasia vaginal ou vulvar (câncer)

Ferramentas e Testes

Aqui estão algumas observações adicionais acerca das ferramentas e dos testes utilizados para diagnosticar a vaginite:

  • Análise a fresco: a microscopia de análise a fresco pode ser realizada através da mistura de fluido vaginal com soro fisiológico colocando-se uma gota desta mistura em uma lâmina. Esta é examinada sob o microscópio para a presença de células brancas do sangue, tricomonas móveis e células-guia, as quais só estão presentes com VB.
  • Teste do pH vaginal: as paredes vaginais são testadas com papel indicador de pH para determinar o nível de acidez ou basicidade da vagina. O pH vaginal normal varia entre 3,5 e 4,5. Quando as bactérias anormais se multiplicam ou os trichomonas se tornam presentes, o pH da vagina sobe para uma faixa anormal de 5,0-7,5.
  • Teste de Amina Positivo (ou Teste de Odor): uma preparação de hidróxido de potássio (KOH) é, na realidade, uma lâmina de microscópio com fluidos vaginais misturado com uma gota de KOH. Em um exame visual das lâminas sob um microscópio, o médico observa a forma das "hifas" do fungo. Além disso, o KOH misturado com o líquido vaginal irá exalar um odor ruim caso haja VB. Este é o chamado “teste de odor” (whiff test).

Dicas Importantes Sobre Vaginite:

  • Os sintomas de vaginite não são específicos
  • As mulheres devem sempre consultar o médico e não fazerem o autotratamento caso tenham dúvidas sobre a causa de seus sintomas
  • A VB é a causa mais comum de vaginite infecciosa
  • Em geral, os diversos tipos de vaginite são tratáveis
  • Enquanto há espera para que um medicamento elimine a infecção, o ardor e a coceira associados às infecções podem ser aliviados com uma medicação anti-coceira de venda livre.

Tradução e adaptação do artigo da Dra. Adelaide G. Nardone, MD;
Membro do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas e consultora-médica do Vagisil® Research Center.