Indo além do papanicolau: Quem deve fazer os exames e quando PDF Imprimir E-mail

 

A maioria das mulheres está consciente do Teste de Papanicolau ou "Exame Papanicolau", o qual é utilizado para detectar alterações nas células do colo do útero e pode detectar a presença de câncer do colo do útero. Este teste relativamente simples permite a detecção precoce de alterações nas células, o que torna o tratamento possível e, muitas vezes, muito bem sucedido. O sucesso na detecção precoce tem feito com que o teste de Papanicolau seja uma ferramenta essencial na redução das mortes por câncer do colo do útero nos Estados Unidos. As taxas de câncer do colo do útero têm caído mais de 50% nos últimos 30 anos nos EUA em virtude da aplicação generalizada do teste de Papanicolau. No entanto, o câncer do colo do útero continua a ser um câncer ginecológico comum em todo o mundo: a cada ano, cerca de meio milhão de mulheres são diagnosticadas com o câncer e perto de 250 mil falecem em consequência desta doença. Enquanto o teste de Papanicolau tem sido a primeira linha de defesa, há agora novos exames e vacinas que tornam o "Papanicolau" mais preciso.

HPV: Responsável pelo Câncer do colo do útero:

O câncer do colo do útero bem como as verrugas genitais são conhecidas por serem causadas pelo vírus do papiloma humano (HPV), uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. Atualmente, o equivalente a 80% das mulheres estará exposto ao HPV em algum momento de suas vidas. Geralmente, o HPV não tem sintomas e, na maioria das vezes, principalmente em mulheres mais jovens, o vírus vai embora por conta própria, sem causar danos à mulher. (A maioria das pessoas nem tem ideia de que tem HPV). Embora existam mais de 100 cepas de HPV, o HPV 16 e 18 são os causadores da maioria dos cânceres do colo do útero; e as cepas 6 e 8 são a causa das verrugas genitais. Se a doença cervical é detectada precocemente, é facilmente tratada. No entanto, se ela progride para um estágio avançado, é dolorido, muito mais difícil de tratar e pode ser fatal.

Exame para Detectar o Câncer do Colo do Útero:

Por muitos anos, o Teste de Papanicolau padrão foi feito durante o exame ginecológico anual das mulheres para verificar alterações celulares. Se o resultado do Exame de Papanicolau apresentasse resultados anormais, as mulheres passariam por uma colposcopia, através da qual o ginecologista examinava o colo do útero diretamente através de um microscópio (colposcópio) e fazia biópsias de quaisquer anormalidades. As biópsias eram então analisadas para descartar alterações pré-cancerosas.
Hoje, no entanto, com exames de Papanicolau mais precisos, com o auxiliar do teste de HPV e novas diretrizes do Teste de Papanicolau, muitas mulheres têm sido poupadas de passar por exames desnecessários e biópsias doloridas.
A introdução do Teste de Papanicolau líquido melhorou significativamente a qualidade do Exame de Papanicolau, tornando a interpretação dos resultados consideravelmente mais precisa. Com o Teste de Papanicolau líquido, uma escova citológica é utilizada para obter uma amostra de células microscópicas do colo do útero da mulher. A escova é então colocada em um frasco que contém um meio líquido e agitado para soltar as células para o líquido. O frasco é enviado ao laboratório e centrifugado em um processo que separa as células do colo do útero e as filtra. As células são então colocadas sob um microscópio e analisadas. O líquido remanescente pode ser utilizado para outra análise de teste de HPV-DNA.
Uma vez que a maioria das mulheres com menos de 30 anos "elimina" o vírus HPV sem intervenção, o teste de HPV-DNA não é rotineiramente feito com o teste de Papanicolau anualmente para essa faixa etária. No entanto, o teste de HPV-DNA de rotina, em combinação com o Exame de Papanicolau, é agora aprovado pelo FDA e recomendado pelo American College of Obstetricians & Gynecologists (ACOG), bem como pela American Cancer Society e outros grupos profissionais, para as mulheres a partir dos 30 anos.

Orientações para Novos Exames:

Em novembro de 2009 a ACOG revisou as diretrizes de exame de câncer do colo do útero. Essas novas recomendações refletem o fato de que o sistema imune elimina o HPV entre 1 a 2 anos para a maioria dos adolescentes, assim como algumas das mudanças cervicais podem ocorrer nessa faixa etária.
As diretrizes incluem:

  1. O exame para detectar o câncer do colo do útero deverá iniciar aos 21 anos.
  2. Mulheres com idades entre 21 e 30 anos deverão ser examinadas a cada dois anos, em vez de anualmente.
  3. Mulheres com idade a partir dos 30 anos – as quais são de baixo risco e tiveram três resultados negativos consecutivos de testes citológicos para câncer do colo do útero –, podem ser examinadas a cada três anos.
  4. Co-teste, utilizando a combinação da citologia além do teste de HPV-DNA, é um teste apropriado para mulheres com idade a partir dos 30 anos. Todas as mulheres de baixo risco com idade a partir dos 30 anos que recebem resultados negativos tanto no exame citológico do colo do útero quanto no teste de HPV-DNA, deverão ser submetidas a novo exame após três anos.
  5. Mulheres que tiveram histerectomia total para indicações benignas e não têm histórico prévio de Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) de alto grau, podem suspender o teste de Papanicolau de rotina.
  6. Mulheres com certos fatores de risco podem necessitar de exames mais freqüente. Inclusive aquelas que têm HIV, são imunologicamente suprimidas, que foram expostas ao DES (Diestilestilbestrol) no útero e que têm sido tratadas para neoplasia cervical ou câncer do colo do útero.

Vacinação contra HPV:

Duas vacinas que protegem contra as cepas de alto risco do HPV estão disponíveis atualmente. Elas são mais eficazes quando administradas antes do início da atividade sexual (e, portanto, a potencial exposição ao HPV). Além disso, são especialmente indicadas para meninas jovens entre 9 e 13 anos de idade. No entanto, elas podem ser administradas até os 26 anos de idade. Estas vacinas enganam o sistema imunológico, de modo que se o vírus for realmente contraído este fica neutralizado. Estas vacinas não protegem contra todas as cepas de HPV (principalmente 16 e 18), e são bem toleradas. Uma das duas vacinas também protege contra cepas de HPV 6 e 8, que são conhecidas por causarem verrugas genitais. Uma série de vacinação completa inclui três doses ao longo de um período de seis meses.
Todas as mulheres jovens deveriam conversar sobre vacinação contra o HPV com seus pediatras e/ou ginecologistas. Além disso, o seu ginecologista irá aconselhá-la quanto ao intervalo apropriado para o Exame de Papanicolau que se adapta melhor a você, com base em sua idade e fatores de risco. É muito importante continuar fazendo um exame ginecológico anual, ser aberta e honesta com seu médico e não hesitar em fazer perguntas. Um paciente informado é um bom paciente.
Tradução e adaptação do artigo da Dra. Adelaide G. Nardone, MD;
Membro do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas e consultora-médica do Vagisil® Research Center.


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